Mesmo após uma longa trajetória
de gafes eu ainda não adquiri total noção do perigo, caso contrário, saberia
que piso molhado e salto alto nunca formaram uma combinação ideal. Cá entre nós? Um evento com grande probabilidade de culminar
em uma tragédia.
(Não!)
Não foi apenas um tombo, foi uma cena dantesca. E digo mais: sem platéia, não há magia! Se é para sofrer, vamos acabar logo com toda a dignidade de uma vez. Situações constrangedoras e vexames públicos são a minha especialidade – circunstâncias clássicas que revelam a minha natureza nada sutil e totalmente, completamente, infinitamente desastrada.
E não fique por aí
pensando que sou do tipo que pisa no chiclete, quebra copos, esbarra nas portas
ou bate o dedinho na quina dos móveis. Isso é para amadores! Eu sou aquela que
coleciona momentos catastróficos que ultrapassam o limite da normalidade: coloco
fogo no banheiro de casa, bato o carro no banco do passageiro ou causo
uma pequena chacina na prática de algum esporte.
(Um perigo real e
iminente!)
Contusões misteriosas, ossos quebrados e contorcionismos à parte, eu costumo sair praticamente
ilesa de algumas armadilhas. Chocados? Eu não! Afinal a questão é simples e muito
compreensível: a culpa não é minha, é da gravidade.








