sábado, 2 de março de 2013

Nada Promissor

Eu apenas observava de longe enquanto minhas amigas balançavam ao som de uma música estranha em frente ao palco. Neste momento eu já me arrependia por aceitar o convite - envelhecer é traumático o suficiente, porém, uma comemoração tardia consegue tornar uma situação ruim, ainda pior. 

Ela largou a guitarra e se aproximou com o sorriso habitual. Confesso que tentei traçar mentalmente uma rota de fuga, contudo, já era tarde demais. Não me entendam mal, trata-se de uma pessoa incrível mas quando se tem uma vida excessivamente verbal como a minha, o silêncio é um artigo raro e portanto, muito valorizado. 

 Ah, quer saber mesmo? Eu não estava nem um pouco a fim de conversa. O meu desejo, é claro, ficou em segundo plano quando ela desandou a falar sobre sua recente separação. Tudo o que eu precisava! Após o relato de suas mágoas e do meu grande esforço para esconder o tédio, a sua mão desce (assim, como quem não quer nada) para minhas pernas. Epa! Um minuto de silêncio. Olho ao redor e me deparo com aquele típico olhar hostil que só uma ex-mulher possui. Sim! Elas ainda por cima trabalham juntas. 

O fato é que seu gesto teve efeito imediato - sua parceira sem o menor pudor sentou-se ao meu lado, agarrando o meu braço. Eu compreendo. De verdade! Talvez o ato de provocar ciúmes em quem gostamos seja uma das mais antigas manifestações de amor que eu conheço, mas... pega leve! Sufoquei o impulso de sair correndo e então me despedi com o pouco de classe que me restou - a verdade é que minha cama parecia um programa bem mais tentador.

17 comentários:

  1. Ser usada para fazer ciumes na outra... acho um ato "elogioso" :P

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    1. Olá, Cristiano.
      É, talvez...! Mas, cá entre nós, me senti no circo ;)

      Beijos.

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  2. Adoro teu blog. te mandei um email te convidando pra um projeto textual. adorei o texto!!

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    1. Olá, Anônimo.
      Não seja tímido! ;)
      Fico feliz por vc ter gostado.
      Já, já vou te responder, então.

      Beijos!

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  3. Olá HELENA,

    e o disse muito bem, pois neste circo da vida , nós palhaços de todos os picadeiros , a maioria das vezes no entanto, só não encontramos o nosso e lançamos mão de outras cara pintadas para servir de gracinhas premeditadas por aquele diabo de olhos verdes que alguns chamam de ciume.

    Um abração carioca.

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    1. Pois é, Paulo. Só espero que as minhas próximas atuações, ao menos, sejam dignas de aplausos. ;)

      Beijos!

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  4. Oi, Helena! Primeiramente, muito obrigado por sua visita e comentário lá no meu humilde bloguezinho. :)

    E gostei do teu espaço e desse texto. Essa história de usar outra pessoa para provocar ciúme no(a) parceiro(a)... ah, eu já vi algumas terminarem mal. E rolava até no ambiente virtual, com os famosos "depoimentos" no (finado?) orkut. =o

    Beijos!

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    1. Olá, Jaime.

      Você tem razão. Para provocar ciúmes, a internet é um prato cheio. Eu, particularmente, dispenso ;)

      Beijos.

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  5. Por mais que nos consideremos vividos e aptos a encarar qualquer situação, vez ou outra o destino prega suas peças. O que seria pior? Estar no meio de uma situação atípica, onde o que mais se quer é a introspecção mas o que se tem, de verdade, é a invasão do silêncio, ou ser usado para atingir a outra pessoa?
    Talvez este seja aquele fatídico dia em que sequer deveríamos sair da cama pela manhã.
    Existem pessoas que tem uma capacidade sem igual de "usar" outras pessoas para, meramente, atingir seus objetivos. Agem por impulso, sem se importar com o que podem causar nesta pessoa que está sendo colaborando involuntariamente com o intento. Complicado isso tudo!

    Helena, grato por sua visita no meu antigo blog. Lamento você ter chegado para uma visita e não ter encontrado nada, mas por alguns problemas recentes, acabei retirando o conteúdo que ele possuía.
    Montei outro blog, um tanto mais introspectivo, e seria um prazer tê-la como leitora. Caso queira conhecer meu novo espaço, é só seguir este endereço:

    http://cronicasdeareia.blogspot.com.br/

    Abraços, Helena.

    Marcio

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    1. Pois é, Marcio. Algumas pessoas, simplesmente, não se importam. E olha, te digo que isso, dificilmente, me surpreende. A verdade é que situações desse tipo, acontecem na maior parte do tempo, embora, não sejam tão evidentes sempre.

      Ficarei feliz em me tornar seguidora do seu novo blog. Logo, logo, apareço por lá.

      Beijos.

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  6. Mas veja o lado bom: isso virou uma postagem do blog.
    rsrs
    Beijos e boa sorte, nas próximas vezes.

    www.atormentossingulares.com

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    1. Olá, (A)tormentos Singulares.
      Pelo menos, para alguma coisa serviu.
      Obrigada!

      Beijos.

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  7. que legal seu texto.

    A mina da mina...

    um beijo

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    1. Obrigada, Mina Cara.
      É... a mina chata da mina, isso sim. ;)

      Beijos!

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  8. Oi, Helena. Você foi bastante compreensiva neste caso. Eu já ficaria puto da cara por perceber que estava sendo usado pra provocar ciúmes. Buenas... c'est la vie. Quanto ao blog de tiras, ainda vou mudar muitas coisas por lá. Continue aparecendo. Tuas visitas são um privilégio e um estímulo. Beijo pra ti.

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    1. Olá, Telmo!
      Na realidade, algumas situações me pegam desprevenida e eu não funciono bem sob pressão, não. Fico sem saber o que fazer mesmo.

      Pode deixar, sempre estarei visitando seu novo blog.

      Beijão.

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  9. Muito boa observadora você! Ou seja, isso é um privilégio feminino?

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Se você conseguiu chegar até aqui é porque teve paciência suficiente para agüentar minhas insanidades. Prometo agüentar as suas também... Vai! Me diz aí o que você pensa.